Artigo da psicóloga Maiara Castro de Freitas: As crianças também sofrem! Postado quarta-feira, 8 de maio de 2019 ás 12:05
PRECISAMOS RECONHECER QUE AS CRIANÇAS TAMBÉM SOFREM
Atualmente, o cenário infantil é composto por crianças que são taxadas de estressadas, agitadas, hiperativas, disléxicas, sobrecarregadas de diagnósticos e/ou outros rótulos científicos. Isso ocorre, geralmente, por apresentarem comportamentos destoantes às regras culturalmente alicerçadas.
Sendo assim, é necessário pensar além desses rótulos. Crianças podem sim demandar apoio de diferentes profissionais e intervenções, devido a sofrimentos de diversas ordens, inclusive por questões orgânicas. Porém, deve-se atentar a função dos atendimentos, do diagnóstico e, especialmente, o quanto este último atende a uma situação que angustia a pais e cuidadores, etc, os quais não sabem nomear o que se passa com suas crianças.
Portanto, deve-se reconhecer: 1) o sofrimento da criança e 2) de seus cuidadores, assim como 3) não reduzir o sujeito a um diagnóstico. Muitas pessoas ainda hoje desconhecem esse assunto, mas ele está mais próximo do que se pode imaginar. Por exemplo: você sabia que o Brasil é considerado um dos maiores consumidores de pretensos diagnósticos e respectivos tratamentos? Também é visto como um dos maiores consumidores de fármacos como a RITALINA e seus derivados?
Sentimentos comuns de sofrimento e tristeza, que alcançam a todos em determinados períodos da vida, e que, até certo ponto, são normais, tem sido tratados como problemas médicos. Isso tem atingido também as crianças. Por exemplo: se na escola uma criança apresenta dificuldade de aprendizagem, rapidamente é diagnosticada com TDAH; se se apresenta de forma agitada e inquieta, logo pode ser considerada hiperativa. Dever-se-ia pensar, no entanto, que crianças ou adolescentes com dificuldade de aprendizagem ou de socialização, não necessariamente são doentes e necessitam de tratamentos e intervenções medicamentosas.
Neste sentido, torna-se essencial investigar e compreender integralmente todos os fatores que levam uma criança a sofrer. Para além de diagnósticos, deve-se levar em consideração o contexto amplo que a rodeia. Diagnósticos são importantes, mas não representam integralmente os sujeitos. Nosso papel é considerar as múltiplas dimensões de um indivíduo, estreitar laços com a família, escola, ampliando a possibilidade de interlocução e discussão.
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