Criada em 2017 em Santa Maria, plataforma Garupa, que atua em 700 municípios do país, enfrenta problemas para pagar empresas parceiras e condutores

Zero Hora: O aplicativo de transporte de passageiros Garupa, criado no Rio Grande do Sul e considerado o maior nome do segmento de origem nacional, está atrasando pagamentos de franqueados e de motoristas. As dívidas com os sócios-operadores começaram em 2022 e se tornaram rotina em 2023, quando alcançaram também os condutores.
 
Em nota, a empresa confirmou as pendências, mas disse que elas seriam "pontuais" e estariam "parcialmente relacionadas ao cumprimento dos termos contratuais, incluindo a exigência de exclusividade por parte dos sócios-operadores e o envio fora do prazo das notas fiscais".
 
O Garupa conquistou mercado sobretudo em cidades médias e pequenas do interior gaúcho e de outros 12 Estados, onde concorre ou atua no vácuo de gigantes como Uber e 99. Em seu site, o aplicativo anuncia estar presente em 700 municípios brasileiros, mas somente em três deles a gestão operacional do serviço é feita pela matriz da empresa: Santa Maria, berço da marca, Porto Alegre e Balneário Camboriú (SC).

Nas demais cidades, o modelo é de operação por franquias. A matriz abre o sinal para um parceiro que terá, em contrapartida, de arregimentar motoristas, inaugurar um escritório com funcionários, investir em propaganda e eventos para captar clientes. Depois, a matriz e o parceiro dividem 20% do valor das corridas — descontado o percentual do motorista, que fica com 80%. Esse franqueado, que faz o negócio se desenvolver nas médias e pequenas cidades, é chamado de sócio-operador. Esse é o parceiro que tem sofrido com recorrentes atrasos de pagamentos das comissões, a cargo da matriz.

Exemplo disso ocorreu em Vacaria, nos Campos de Cima da Serra, onde Elisangela Teles de Oliveira foi a franqueada entre setembro de 2020 e novembro de 2023. Ela e o marido, Paulo Rodrigo dos Santos, chegaram a ter 35 motoristas e alcançaram a média de 7 mil corridas por mês, o que gerava comissões de R$ 12 mil a R$ 14 mil.

Em 2023, começaram os atrasos. A reportagem teve acesso a diversas conversas entre a operação de Vacaria e os consultores da matriz do Garupa via aplicativo Slack, canal de comunicação usado pela empresa. Nos diálogos, Santos apela por semanas pelos pagamentos atrasados e relata estar com problemas financeiros. Empregados do Garupa que atendem os sócios-operadores reconheceram as pendências, mas diziam não ter previsão a dar sobre as quitações.

"Paulo, se dependesse de mim, você receberia em dia todos os meses", diz uma mensagem de consultor da matriz.

Outra, ante novas cobranças do franqueado, diz: "Sobre a data do seu próximo repasse, eu ainda não tenho informação. O que está acontecendo eu não sei nem é competência minha falar sobre isso".

Santos relata ter ficado inadimplente com parcelas de empréstimos bancários que havia feito em 2022 para investir no negócio. Por fim, ficou devendo o aluguel do escritório da operação, o que resolveu quitar com a entrega de um aparelho de ar-condicionado ao proprietário do imóvel. Ele alega que, já em 2023, alguns de seus motoristas começaram a fazer corridas por dois aplicativos, o Garupa e outro que estava pagando em dia. E ele recebia a comissão correspondente. O Garupa alegou infração de contrato e cassou a concessão em novembro.

Santos lamenta ter ficado sem nenhuma remuneração referente aos últimos três meses de operação — agosto, setembro e outubro. Uma dívida de R$ 22,6 mil que, segundo ele, não recebeu nenhuma perspectiva de quitação por parte do Garupa.

Somando alguns dos principais franqueados do Garupa no Rio Grande do Sul, em cidades do Noroeste, Sul, Centro e Fronteira Oeste, há atrasos no pagamento de comissões que superam os R$ 500 mil. Também há pendências na Serra.

Em uma cidade pequena do Rio Grande do Sul, o sócio-operador narra, sob anonimato, ter chegado a novembro suportando três meses de inadimplência das comissões. Em meados de 2023, uma cobrança feita por ele à matriz via Slack aponta que a dívida já acumulava quase dois períodos, o que acabaria crescendo.

"Estamos correndo aqui para colocar em dia. Ainda não tenho uma informação clara para te trazer, mas os pagamentos serão realizados sem falta, mesmo que com algum atraso ", respondeu o empregado da matriz.

Uma das maiores operações do Garupa existiu na franquia de Teófilo Otoni, no interior de Minas Gerais. Eram cerca de 90 mil corridas ao mês e comissão variável entre R$ 60 mil e R$ 70 mil para o franqueado David Raimundo. Ele tem e-mails que mostram, além dos atrasos nos pagamentos, o retardamento da emissão dos relatórios mensais pela matriz do Garupa. Sem esse documento, o franqueado não consegue tirar a nota fiscal para cobrar a sua comissão. A demora além do prazo contratual para o envio dos relatórios era de alguns dias, mas ajudava a arrastar o acerto.

— Todos os meses, eu fazia a cobrança por e-mail, telefone, WhatsApp e ligações. O pagamento era sempre atrasado. Se era para ocorrer dia 5, ficava para 14 ou 15 em diante — relata Raimundo, que perdeu concessões no interior mineiro após litígios com a matriz do Garupa.

Já o ex-administrador de operação James Angeli, que atuava em Santiago (RS) em parceria com a sua mãe, detentora da franquia, destaca que o contrato entre os sócios e o Garupa prevê multa de 1% por atraso no recolhimento das comissões, mas isso nunca teria sido cumprido.

— Fiquei devendo aluguel do escritório e com boletos protestados. Perdi crédito e tive cheque devolvido devido ao Garupa — lamenta Angeli.

Ele e a mãe também tiveram o sinal cortado em agosto pela matriz da plataforma porque o ex-administrador, em busca de uma renda perene, passou a atuar paralelamente em outro aplicativo de transporte.

— Cheguei a ficar um mês sem receber. Foi por falta de condição de me manter que comecei outra operação — diz Angeli.


Problema nas operações com cartão de crédito

A reportagem teve acesso a uma comunicação pelo Slack em que um importante franqueado do Garupa no interior gaúcho apresenta uma lista de seus condutores que estavam com pagamentos atrasados há duas semanas. Em todo o Brasil, o Garupa anuncia ter mais de 65 mil motoristas cadastrados.

Os passageiros do aplicativo, em maioria, pagam as corridas em dinheiro. Quando isso ocorre, o motorista fica de imediato com os seus 80% e, depois, faz um depósito semanal dos outros 20% que são do Garupa via boleto. Mas há a opção de pagamento por cartão de crédito, cadastrado no aplicativo. É o acerto dessas operações que o Garupa está atrasando com os motoristas desde o início de 2023. As quitações ocorrem por ciclos semanais. As corridas feitas nesta semana, no crédito, deveriam ser pagas no meio e no final da semana seguinte. Só que isso vem sofrendo atrasos constantes que alcançam de duas a três semanas. São valores módicos, que podem oscilar entre R$ 20 e R$ 60, dependendo do prestador de serviço.

— São motoristas que têm família. É o dinheiro da gasolina. Uma quantia de R$ 30, para eles, faz diferença — avalia Paulo Rodrigo dos Santos, de Vacaria, que conviveu com trabalhadores que reclamavam diariamente das pendências.

O condutor Marco Cezar Bruce, de Jaraguá do Sul (SC), desistiu de trabalhar com o aplicativo do Garupa em outubro.

— Cansei. Toda hora tinha de estar brigando, reclamando, pedindo. O pagamento era para ser semanal, mas o dinheiro não entra na conta. Cheguei a ficar mais de 30 dias sem receber nada de cartão — relata Bruce.

O Garupa

 
Foi fundado em 2017 pelo CEO Marcondes Trindade. A operação começou em Santa Maria e, atualmente, alcança 700 municípios de 13 Estados brasileiros, conforme publicação do site da empresa feita em agosto de 2023.
 
A matriz, propriedade de Marcondes Trindade, opera diretamente o Garupa em três cidades: Santa Maria, Porto Alegre e Balneário Camboriú. Nas centenas de municípios restantes, a operação cabe aos franqueados. Eventualmente, quando cassa a concessão de um sócio, a matriz opera o negócio até conseguir vender ou repassar a um novo parceiro.
 
O motorista fica com 80% do valor da corrida. Quando o pagamento é em dinheiro, fica no ato com a sua parte. A parcela do Garupa é depositada via boleto na semana seguinte. Quando é por cartão de crédito, o condutor precisa aguardar o repasse da matriz, o que deveria ser feito na semana posterior à prestação do serviço.
 
Os demais 20% são divididos igualmente entre a matriz e o sócio-operador do município onde aconteceu a corrida.
 
Os contratos preveem que os pagamentos das comissões aos franqueados ocorrerão em cinco, 10 ou 15 dias do mês subsequente à prestação do serviço. Exemplo: as corridas feitas em novembro de 2023 serão acertadas ao longo de janeiro de 2024. Como os prazos de quitação têm elasticidade, podendo chegar a cerca de 45 dias, os franqueados reclamam que os atrasos frequentes tornam a situação "insustentável".
 
A matriz do Garupa tem duas receitas extras e exclusivas: uma taxa de tecnologia de R$ 0,65 que é embutida no valor de todas as corridas e um adicional mensal chamado de VASP, cobrado dos franqueados. O valor desta última taxa é variável, dependendo do tamanho da cidade de operação. A reportagem encontrou casos de VASP entre R$ 300 e R$ 600.
 
Recentemente, a empresa lançou o seu próprio banco, o Garupa Pay. Ele é dedicado, inicialmente, a oferecer possibilidades de operações financeiras aos motoristas da plataforma.

Contraponto

O Garupa se manifestou em nota. Confira a íntegra:

"O Garupa é uma empresa comprometida com a transparência e a satisfação de todos os nossos parceiros e clientes. Está em plena expansão em todo o Brasil. Mas cabe esclarecer alguns aspectos importantes:

Pagamentos e emissão de relatórios: reconhecemos que houve atrasos pontuais nos pagamentos das comissões aos sócios-operadores e motoristas. Estes atrasos estão parcialmente relacionados ao cumprimento dos termos contratuais, incluindo a exigência de exclusividade por parte dos sócios-operadores e o envio fora do prazo das notas fiscais, o que acarreta em atrasos, impacta diretamente o fluxo de caixa e, consequentemente, o ciclo de pagamentos.

Multa contratual: em relação à penalidade de 1% mencionada, estamos revisando nossos processos internos para assegurar a observância de todas as cláusulas contratuais, visando a uma relação mais equilibrada e justa com nossos parceiros.

Pagamentos via cartão de crédito: essa situação está diretamente ligada à migração do nosso sistema de pagamento para o Garupa Pay, nosso novo banco digital. Alguns parceiros ainda não completaram o cadastro necessário para essa nova plataforma, o que gerou contratempos no processamento dos pagamentos.

Investimentos e crescimento: o Garupa está em uma fase de expansão e inovação. Além da criação do Garupa Pay, estamos trabalhando na implementação de um projeto para empregar motoristas em regime CLT, demonstrando nosso investimento contínuo na mobilidade urbana do Brasil.

Comunicações internas: Quanto às comunicações via Slack mencionadas, enfatizamos que tais trechos podem estar fora de contexto ou originados de sócios cujos contratos foram descontinuados devido ao não cumprimento de cláusulas contratuais, incluindo a exclusividade"
.
 
Com informações de GZH. Foto do APP Garupa/Divulgação.

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