Produtor rural indiciado por matar três pessoas da mesma família em Santa Cruz do Sul Postado quinta-feira, 4 de junho de 2026 ás 04:30
Investigação foi concluída nesta quarta-feira (3). Vespasiano Giehl, 36 anos, permanece preso preventivamente
A Polícia Civil concluiu nesta quarta-feira (3) o inquérito sobre a morte de três integrantes da mesma família no interior de Santa Cruz do Sul, no Vale do Rio Pardo, e indiciou o produtor rural Vespasiano Giehl, 36 anos, por três homicídios qualificados.
O crime aconteceu em 22 de maio, na localidade de Linha Arroio do Leite, no distrito de Monte Alverne. O homem permanece preso preventivamente.
As vítimas foram os agricultores Ari Miguel Behling, 56 anos; Jaime Rafael Behling, 32; e Diego Ismael Behling, 30. Uma das vítimas deixou duas filhas, de quatro e nove anos.
Conforme a investigação, Vespasiano foi indiciado por três homicídios qualificados por motivo fútil e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas. Com a conclusão do inquérito, o caso será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá se apresenta denúncia à Justiça.
Em nota (leia a íntegra mais abaixo), a defesa de Vespasiano Giehl afirmou que recebeu com serenidade o indiciamento e que a conclusão do inquérito representa "hipótese investigativa, não se confundindo com condenação, tampouco autorizando qualquer antecipação de juízo de culpa".
Dinâmica do crime
De acordo com a Polícia Civil, o produtor rural chegou à propriedade onde as vítimas viviam alegando que procurava um familiar. Durante o deslocamento por uma estrada interna da área, o veículo conduzido por ele saiu da pista, desceu um barranco e capotou.
Ao perceberem o acidente, Ari, Jaime e Diego foram até o local para prestar socorro. Segundo a investigação, ao chegarem ao ponto do capotamento, encontraram Vespasiano já fora do veículo e armado com uma pistola semiautomática.
O delegado responsável pelo caso, Guilherme Dill, afirma que o suspeito disparou diversas vezes contra os três homens, que estavam desarmados. Laudos periciais e exames de necropsia apontam que as vítimas foram atingidas em regiões vitais do corpo e não tiveram possibilidade de reação ou defesa.
Durante a apuração, a Polícia Civil ouviu testemunhas, familiares, vizinhos, policiais militares que atenderam a ocorrência e pessoas que presenciaram o crime. Também foram analisados laudos periciais, conteúdos extraídos de aparelhos eletrônicos e a arma apreendida após os assassinatos.
Segundo os investigadores, havia desentendimentos anteriores entre o acusado e integrantes da família, envolvendo questões financeiras e acusações relacionadas a pequenos furtos rurais. Conversas analisadas pela polícia indicaram ainda suposta insatisfação de Vespasiano com uma das vítimas nos meses que antecederam o crime.
Nota da defesa:
"A defesa técnica de Vespasiano Giehl, composta pelo advogado Felipe Raúl Haas, do escritório Haas Advocacia Criminal, vem a público manifestar-se acerca da conclusão do Inquérito Policial instaurado para apurar os fatos ocorridos no Município de Santa Cruz do Sul, cujo relatório final culminou no indiciamento do investigado.
Inicialmente, cumpre registrar que o indiciamento constitui ato privativo da autoridade policial e representa tão somente a formalização de uma hipótese investigativa, não se confundindo com condenação, tampouco autorizando qualquer antecipação de juízo de culpa.
A defesa recebeu com serenidade a conclusão do procedimento investigatório, por compreender que a atividade policial possui natureza inquisitorial e se desenvolve a partir de elementos colhidos unilateralmente, sem a plenitude do contraditório e da ampla defesa, garantias estas que serão efetivamente exercidas nas fases subsequentes do processo.
Confiamos que, ao longo da instrução processual, será possível demonstrar circunstâncias relevantes que não foram devidamente consideradas no curso da investigação, contribuindo para o adequado esclarecimento dos fatos e para a formação de um juízo justo e imparcial.
Por fim, reafirmamos nosso respeito às instituições e à atuação dos órgãos responsáveis pela persecução penal, ao mesmo tempo em que reiteramos a confiança de que o Poder Judiciário, com a independência e imparcialidade que lhe são próprias, conduzirá a análise do caso com observância estrita aos princípios constitucionais do devido processo legal, da presunção de inocência e da ampla defesa."
Com foto da Polícia Civil.
Fonte da reportagem: Zero Hora.

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