A Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da 1ª Delegacia de Polícia de São Borja, sob coordenação da Delegada Elisandra Mattoso Batista, deflagrou, nesta data, a Operação Spectrum, no âmbito de investigação que apura crimes de extorsão praticados mediante grave ameaça no município de São Borja.
A ação teve como foco a repressão a um grupo criminoso que extorquia as vítimas predominantemente por meio de aplicativos de comunicação, utilizando números telefônicos falsos, inclusive internacionais, e mecanismos tecnológicos destinados a dificultar a identificação dos autores e a colheita de provas.
No curso da operação, foram cumpridas medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário, entre elas uma prisão preventiva cumprida em São Borja, além de mandados de busca e apreensão em quatro locais distintos do Estado, abrangendo endereços nos municípios de São Borja e na localidade de Nhú-Porã, em Santo Antônio da Patrulha e São Francisco de Paula. Um apenado recolhido ao sistema prisional também é investigado por envolvimento direto nos crimes.
Durante as diligências, foi apreendido um veículo utilizado na prática criminosa, bem como executadas medidas de bloqueio de contas bancárias, com o objetivo de interromper o fluxo financeiro do grupo investigado e enfraquecer sua estrutura operacional.
As investigações demonstraram que as vítimas eram coagidas mediante envio de mensagens ameaçadoras, vídeos e imagens de residências e locais de trabalho, evidenciando vigilância prévia e real, utilizada como instrumento de pressão psicológica para obtenção de vantagem econômica ilícita.
Conforme apurado, o prejuízo estimado imposto ao grupo criminoso com a adoção das medidas judiciais alcança aproximadamente R$ 35 mil, valor significativamente superior ao prejuízo financeiro direto sofrido pelas vítimas, evidenciando a efetividade da atuação policial na repressão qualificada ao crime.
Participaram da operação cerca de 25 policiais civis, com atuação integrada da 1ª Delegacia de Polícia de São Borja, Delegacia de Polícia de São Francisco de Paula, Delegacia de Polícia de Santo Antônio da Patrulha, além do apoio do efetivo da Operação Protetor das Fronteiras e Divisas e do efetivo da Operação Verão/2026.
O nome “Operação Spectrum” foi escolhido para representar a forma como os crimes investigados eram praticados: de maneira difusa, fragmentada e oculta, explorando diferentes camadas do ambiente digital.
Os investigados atuavam à distância, valendo-se de aparelhos celulares, números telefônicos falsos — inclusive internacionais — e mensagens com visualização única, criando um cenário de anonimato e intimidação que visava dificultar a identificação dos autores e a produção de provas.
A denominação “Spectrum” remete, assim, ao espectro de condutas e meios empregados, bem como à atuação criminosa “às sombras”, sem contato direto com as vítimas, mas com elevado potencial de coação psicológica e obtenção de vantagem ilícita.
Ao mesmo tempo, o nome simboliza o alcance da investigação policial, que conseguiu identificar, mapear e neutralizar uma estrutura criminosa que operava de forma pulverizada, inclusive com ramificações fora do município e dentro do sistema prisional.
As investigações prosseguem, com análise do material apreendido, especialmente dispositivos eletrônicos e dados financeiros, visando o completo esclarecimento dos fatos e a responsabilização criminal de todos os envolvidos.
A Polícia Civil orienta que vítimas de crimes dessa natureza registrem ocorrência imediatamente, bloqueiem o contato e não realizem transferências bancárias exigidas mediante ameaça ou coação.
Ação policial em vídeo: